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  • Writer's pictureMauro C. Souza

O Facebook é horrível!



Eu poderia colocar mais das minhas ideias no Facebook. No entanto, a pergunta sempre vem: por que compartilhar no Facebook? Quem são os meus amigos e quem são os meus inimigos? Na verdade, não penso que tenho inimigos pessoais, apenas alguns que são inimigos das minhas escolhas, ideais e ideologias. É gente boa que se transformam em monstros quando o Facebook quer. Se você ainda não assistiu ao documentário do Netflix: “The Social Dilemma” (O Dilema das Redes), é urgente que você assista.


O documentário examina o efeito que um punhado de empresas, incluindo, mas não se limitando o Google, Facebook, Instagram e Twitter, têm sobre o público. Ressalta-se que um número relativamente pequeno de engenheiros tomam decisões que impactam bilhões de pessoas. O documentário examina o estado atual das plataformas de mídia social. No documentário você ouve entrevistas com alguns dos criadores das redes sociais. O filme aborda conceitos tem tecnologia, como armazenamento de dados, tecnologia intencionada, inteligência artificial, como as máquinas aprendem sobre nós, e capitalismo de vigilância. Isso mesmo, capitalismo de vigilância, que é um sistema econômico centrado no armazenamento de dados pessoais com o objetivo de obter lucro. As redes, Facebook, Google, Instagram, e Twitter, querem saber como você gasta o seu dinheiro.


Nos últimos anos, tem sido quase impossível passar um mês sem que surjam grandes notícias sobre o Facebook ou Twitter. Você se lembra do Trump? Do Bolsonaro? Os ataques são constantes em todas as direções. Ainda não notaram que foi dado uma “GPMG” nas mãos de qualquer cidadão ou cidadã, responsável ou não, de direita ou esquerda. Se você não sabe, a “GPMG” é a metralhadora mais mortal do mundo.


O Facebook tem sido o vilão por muitos motivos, sem dúvida, motivos bem merecidos, como os “fake news” (essa não precisa de tradução, porque os brasileiros sabem muito bem o que é). Com suas “GPMGs” já desinformaram e disseminaram propaganda falsa em torno das eleições no Brasil, Estados Unidos e em outros lugares. Privacidade passou a ser uma palavra bem moderna, atual, e arcaica ao mesmo tempo — pois, ninguém mais tem privacidade. Para surpresa de alguns, muitos já morreram ou cometeram suicídios, e tantos outros ficaram fisicamente muito feridos, em tudo isso por causa de comentários e compartilhamentos no Facebook.


Os adultos passaram a ser crianças e brincam com informações no Facebook. São problemas sérios, que o fazem ser cada vez mais odiado, abandonado e irrelevante no cenário da “internet” de hoje.


Pois é! simplesmente assim, muito ruim e irrelevante. É uma rede social ruim e só piorou com o tempo.

De acordo com o “website” “statista.com”, o Brasil está em quarto lugar com 130 milhões de usuários do Facebook, só perdendo para a Indonésia, Estados Unidos e a Índia.


Alguns dizem que o FB é mais popular nos países onde a fofoca faz parte significativa da cultura. Para o bem da verdade, sabemos que os brasileiros gostam de uma boa fofoca, seja na janela, na sala de estar, no bar ou nas redes sociais. Haja visto as audiências das novelas na TV.


Estamos ignorando a pergunta básica: porque as pessoas usam o Facebook? É uma plataforma muito, muito cansativa e irritante, talvez mais do que as plataformas irmãs como Instagram e Twitter, que têm seus próprios problemas, mas nada como vemos no Facebook atualmente.


O uso do Facebook é primariamente motivado por duas necessidades: de pertencer e de autopromoção. A necessidade de pertencer refere-se ao impulso intrínseco para se afiliar com outros e ganhar aceitação social, enquanto a necessidade de autopromoção é o processo contínuo de manipular a impressão. Estes dois fatores podem co-existir, mas também podem ser simples causa para o uso da mais famosa plataforma de mídia social.


No Facebook podemos pecar sem ter a necessidade de confessar e se arrepender. A plataforma consegue esconder os pecados de Deus.


“Eu não escrevi, eu copiei”, ou então, “Se postaram aqui, deve ser verdade”.


Lá podemos ser quem somos, ou não. Finalmente, encontramos um lugar onde Deus não está, no Facebook.


O Facebook é coisa velha. Lembra do Orkut? Não? Pois, bem! Ele começou com a morte do Orkut. Talvez você não era nascido. Pergunte aos seus pais, eles sabem o que estou falando. O Orkut era uma plataforma preferida dos brasileiros, mais do que outros povos.


Tudo foi originalmente planejado para ser uma plataforma social. Tenho o Facebook desde 2004. Já o amei e o odiei várias vezes. Acumulei uma coleção de centenas de “amigos” que agora estão quase irreconhecíveis, como eu. Embora em tenha feito algumas podas ao longo dos anos, meu “feed” ainda está cheio de inutilidades aleatórias, o meu perfil ficou deformado, as pessoas mal sabem quem sou. O meu “feed” de notícias, nada mais é do que atualizações de pessoas com quem não falo há mais de uma década, misturada com várias propagandas que não me interessam.


É uma bagunça, tanto como conteúdo quanto na apresentação. Meu “feed” não passa de uma terra devastada, um lugar de bugigangas. Coisas acumuladas sem sentido.


Não estou apenas vendo as postagens que essas pessoas fazem, estou vendo notificações que elas responderam, as curtidas, os memes, opiniões, vídeos, fotos editadas no Photoshop, de pessoas de quem literalmente nunca ouvi falar. Sei o que as pessoas comeram ou onde estiveram ontem; o que viram na TV, e onde passaram as férias.


Leio as postagens incitando o ódio, falsas informações, datas erradas de notícias falsas, grosseiramente modificadas. Talvez pensam que o mundo leitor é ignorante, porque ignoram a gramática e o bom texto também. Qualquer coisa vale, desde que recebam um “curtida”. Só isso que querem, uma curtida. Se vierem mil curtidas, melhor ainda! É verdade que se pode controlar o que você quer ver no seu “news feed”, mas entenda que essa ferramenta é apenas um controle controlado.


A inteligência artificial das redes sociais movem o “gado” para o pasto que querem. Você não precisa escolher, as máquinas do Facebook escolhem para você. Não existe querer. Existe sim, os antolhos que “protegem” você e o impede de ver lateralmente, como um cavalo.


Precisa ser assim? — do ponto de vista do capitalismo de vigilância, sim.


Bem, eu poderia me esforçar muito para “consertar” a minha página no FB. Eu poderia fazer uma limpeza geral, um expurgo massivo de todos com quem não falo no momento, talvez uns 30. O quê? Eu ficaria com 30 “amigos” a menos? Devo pensar melhor…


Poderia seguir as celebridades, escritores e jornalistas cujo conteúdo gosto para tentar tornar o meu “feed” de notícias mais relevantes. Não é tão simples quanto parece. Mesmo que eu “curtir” a página deles, não há garantias de que vou ver o conteúdo que eles postam por causa dos algoritmos semelhantes às esfinges, que utilizam. Poderia cancelar a minha conta totalmente, ou nunca mais acessar a minha conta e me isolar totalmente das mídias sociais. Será que sou suficientemente corajoso para tanto, não, nem eu, nem você. O mundo gira em torno do Facebook, sair e se isolar ainda mais como se a pandemia não fosse suficiente. Quando compartilho algo no Face, terei sorte se o meu “post” for “exposto” a 10% das pessoas.


Sabem de uma coisa? O Facebook não é mais uma parte relevante da minha vida, e acho. Talvez nunca será, no entanto, a é a vida de muitos. É como um museu social, onde a frase de René Descartes fica retorcida: “Compartilho no Facebook, logo existo”. Existo como um observador, um “voyeur”, o meu prazer é ver as pessoas e suas ideias, na maioria contrária as minhas, pessoas que não vejo a 5, 10, 15 anos, ou mais. Essas pessoas cresceram, casaram, tiveram filhos, mudaram várias vezes de opinião politica/religiosa/social, etc.


Muitas vezes fico no silêncio, mas na esperança de que minha existência está sendo observada. O silêncio no Facebook não é niilismo, é um esconderijo onde se pode observar o mundo das pessoas.

O Facebook é uma porta para espionar a vida privada de amigos ou não. Parte disso é culpa dos algoritmos ruins e de uma horrível “interface” de usuário. Convenhamos, o FB é apenas aquilo que tem sido, um amigo “colecionador” onde amarra você a outra pessoa “online” até o fim dos tempos, a menos que você decida cortar o vínculo, ou morra, ou cometa suicídio. Divorciar do FB não é tão simples assim, pois, está sempre pronto para reconciliações, sem fazer perguntas.


O Facebook precisa assumir a responsabilidade por seu papel no enfraquecimento da democracia e no aumento das ideias fascistas, e também na ameaça à perda da privacidade.


Todas as redes sociais precisam urgentemente de uma grande reformulação, coisa que não tenho certeza que irá acontecer. Até lá, as “fake news” continuam cada vez mais sofisticadas, ameaçando sociedades do mundo todo, e a confusão de memes, o ódio, o preconceito e as tendências continuarão a determinar como devemos viver.


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