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Todas as Histórias da Dona Natalina, mãe, avó e bisavó; e do Sr. Antônio, pai, avô e bisavô.

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Adicionarei os nomes assim que receber os textos de vocês. 

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Amauri
Mauricio
Zi
MULHER DETERMINADA
Isildinha
Como falar desta mulher sem falar de sua fé, seus filhos e seu marido e seus netos e bisnetos. Todos estavam presentes em suas orações incessantes e fazia questão de dizer o quanto orava por  todos, não esquecia de nenhum deles em suas longas orações diuturnas, era seu mundo, vivia por isto.

Seu Deus e sua  família.

Teve 5 filhos: 3 meninos, 2 menina  (como gostava de dizer: suas eternas crianças). Perdeu uma das meninas com apenas 2 aninhos, enquanto estava grávida do 4º filho. Quanto sofrimento, quanta dor.
 
O tempo passou  e quando estava com os filhos adolescentes a vida lhe deu um outro presente  e ela ganhou mais uma filha. Uma filha do coração. Uma menina que chegou com 7 aninhos. Ela criou a todos com muito carinho. Determinada resolveu ficar com ela e tudo ia dar certo.

Ela sabia o queria , e nada a fazia mudar de ideia, foi assim quando resolveu mudar para o Ipiranga , bairro que não conhecia mas julgava ser melhor para seus filhos , muito melhor que o Jabaquara.  Foram muitos anos felizes na casa do Ipiranga, repleta de muitas histórias bem vividas.

Fazia tudo orando, quantas coisas a agradecer, quantas lutas, quantas vitórias, quantas recordações.
Um dia resolveu que queria uma cozinha  toda vermelha, enquanto todas mulheres que conhecia tinham a cozinha cores clarinhas: azul, verde ou rosinha.

E lá foi ela feliz da vida:
- “Quero fogão vermelho, geladeira vermelha, armários vermelhos, mesa e cadeiras vermelhas."
Uma inovação, só ela tinha.

Gostava muito de ler, estava sempre informada sobre política, educação, arte, saúde, novas tendências do mercado e da moda.

Ela não permitia que nada negativo ficasse em sua casa: se um jornal ou revista trouxesse uma notícia ruim ou que julgava negativa para seus filhos ou marido, não tinha dúvidas, rasgava a página, sumia com o tal exemplar.

Era comum encontrar revista sem a capa ou faltando alguma página em sua casa e tudo bem, a vida prosseguia.

E a Tv? 

Ah! Os programas de televisão tinham a censura mais severa do planeta,  tudo tinha que passar pelo seu crivo.

Novelas nem pensar. Só tinha mal exemplo, nada que podia acrescentar aos seus filhos . Cuidava deles como se sempre fossem filhotinhos que precisavam de sua proteção o tempo todo.
 
A filha mais velha, gostava de matemática, e um dia lhe disse que queria ser professora de Matemática. Ficou muito feliz com a boa nova, mas depois de algum tempo entendeu que a filha teria que fazer o colegial de exatas 3 anos, mais o cursinho e prestar o vestibular para Faculdade de Matemática, e fazer mais 4 anos.

Não se conformou com isto, era tempo demais!

E começou : 
- "Filha vc poderia fazer magistério são só 4 anos e daí já será professora.”
A filha  já matriculada no colegial de exatas disse :
- “Não mãe , quero fazer Faculdade  de Matemática.” 
- “Filha - replicava ela , certa de que sabia o que era melhor - depois você faz a Faculdade, mas já será professora formada !”

E este diálogo se repetiu durante dias, semanas e meses, preferencialmente assim que acordavam e ao término de cada dia! 

Dois meses depois a filha se rendeu, conversou na escola, se transferiu para o curso de magistério. Felicidade total da mãe. A filha seria professora em pouco tempo.
 
Quando a filha se formou, não foi diferente.

Dizia para todas vizinhas com a maior satisfação : 
- “Minha filha é professora!”

E foi assim que um dia ela encontrou uma amiga,na papelaria onde comprava material escolar para seus filhos, e contou feliz da vida a novidade: 
- “Minha filha é professora.”

Mal sabia ela que a amiga era irmã de um diretor de Colégio, lógico que não qualquer colégio, era um bom colégio e naquela mesma semana tudo aconteceu: a filha foi chamada para ser professora nesta escola.

O salário? 
Ah! o salário era ótimo.
Foram  muitos  anos felizes.

A filha como professora nesta escola e a mãe toda orgulhosa dizendo a todos: 
- “Minha filha é professora!"

Tudo fazia orando. Orava o tempo todo e agradecia por todas as bençãos! 

Sua felicidade era ver os filhos felizes.

Tinha um sonho que um dia segredou a filha: Um dia iria comprar um casaco de pele como o das atrizes de Hollywood. Com o primeiro salário a filha lhe fez uma surpresa : numa caixa branca chegou o tão sonhado casaco de pele. Que felicidade! 

Mesmo morando num país tropical, ela deu um jeito e algumas vezes usou o casaco sonhado quando ia a igreja.

Momentos que, com certeza, guardaria em seu coração para sempre. Era feliz no pouco e no muito.

Gostava de chuva.

Dias chuvosos eram dias de muitas brincadeiras com os filhos, eram dias de pipoca , suspiros e bolinho de chuva.

Um dia, quando o filho do meio  fazia aniversário, como sempre, resolveu que iria fazer o bolo, pegou seu livro de receitas Dona Benta e disse: 
 - "Filho escolha um bolo para eu fazer de aniversário."

O filho folheou o livro e no meio de tantos nomes de bolo achou um : Bolo Feliz.
Apontando  com o dedo disse : - "Este!”
Tudo combinado , bolo foi feito, depois de batido: forno! 

Os filhos , e principalmente o aniversariante esperaram ansiosos pelo Bolo escolhido. Porém,  para surpresa de todos o bolo não deu certo! A medida que o bolo crescia, escorria para fora da assadeira. Algo dera errado, talvez fermento demais.

E agora o que fazer? 

Todos  ficaram desolados e ela mais uma vez deu uma lição para não esquecermos  mais: “-Tudo bem! - disse ela - vamos jogar isto fora limpar toda esta sujeira e vamos fazer outro bolo!"
 
Encheu o rosto dos filhos de esperança e alegria em pouco segundos com estas palavras. Sempre que os filhos estavam assustados e com  medo, por pior que fosse a situação, nada a intimidava, ela aparecia e como num  passe de mágica as suas palavras espantavam todo sentimento ruim e ela os convencia que estava tudo bem, não era tão  ruim assim e ficar tudo bem.

O filho mais velho a deixou radiante de alegria quando passou no concurso do Banco do Brasil, quanta felicidade! 

Quando ele resolveu que não iria trabalhar lá , ficou um pouco chateada, mas tudo bem ela podia contar para todos: - “Meu filho conseguiu passar no Banco do Brasil!”

O filho mais novo não fez diferente entrou em engenharia, deixou-a muito feliz! 
“Engenheiro", palavra que ela achava linda! 

Um ano depois, ele resolveu que não seria engenheiro, e sim médico! E foi outro orgulho dela! Quando o filho se formou dizia a todos :- "Sou mãe de médico!”

E os netos vieram.

Quinze ao todo. Cada um com sua história, cada um em um lugar - uns no Brasil outros em outro país - cada um ganhava um lugar no seu coração.

Participou da vida de alguns bem próxima. Riu muito, chorou com eles e por eles, ensinou, deu conselhos, cuidou de cada um do  seu jeito quando pode e por todos orava  e orava muito. Suas orações sempre os acompanhava, trazia todos no coração, cada um deles.

E vieram  os bisnetos: três bisnetos.

Um bem próximo, os outros dois não conseguiu  conhecer, mas, como sempre, suas orações os alcançavam onde estivessem.

No seu coração se misturavam alegrias  e preocupações, tristezas e alegrias, medo e confiança e tudo deixava aos pés do Senhor.

Olhando para trás via quantas bênçãos recebeu, via o quanto  Deus a sustentou até mesmo quando  o Senhor  recolheu seu marido! 

Deus sempre esteve presente. Nunca a abandonou, nem quando ficou internada. Ali, sozinha, quanto conversou com o Senhor! Conversou tanto que  quando viu estava lá juntinho do Salvador, falando com Jesus! Agradecida por tudo que viveu.

Mãe quanto orgulho de ser sua filha! Te amamos muito, mãe!!
Mauro

ADEUS MÃE

Mauro

Minha mãe foi para o céu ontem à noite. O coração da minha mãe estava fraco e parou de trabalhar para continuar a bater ao lado de Jesus. Ela era uma mulher pequena e forte. Ela foi para o hospital quando teve o Covid-19. Pensamos que seria difícil para ela sobreviver, e ela sobreviveu. Os médicos disseram que foi um daqueles “Milagres dos Idosos”. Ela se recuperou do terrível vírus, estava feliz, brincava e queria ler sua Bíblia. Outras complicações a mandaram para a mesa de cirurgia, e tudo correu muito bem. De volta à UTI, ela dormiu sob medicação. Hoje de manhã o coração da mãe decidiu que já era o suficiente e parou. 

 

Ela tinha 88 anos de idade. 

 

Por acaso você está se perguntando por que estou escrevendo sobre a morte de minha mãe. Estou escrevendo para compartilhar minha dor com você, e para que você saiba que ela conseguiu. Ela está ao lado de Jesus. Ela fez nesta terra exatamente o que deveria ter feito. Minha mãe criou três meninos, duas filhas, da maneira como ela acreditou a vida toda — no caminho de Jesus. 

 

Minha mãe amava Deus mais do que qualquer outra coisa. A Bíblia foi sua companheira de vida. A clareza em que ela comunicava seu afeto por Jesus era encorajadora. Ela tinha o dom da oração. Se você tivesse a oportunidade de conhecê-la, ela diria que oraria por você.

 

Em muitos aspectos, minha mãe viveu uma vida não tão fácil. Ela nasceu em uma pequena cidade do Brasil, em uma família muito pobre. Em busca de amor, ela se casou com meu pai. 

 

Meu pai faleceu em 2001, e ela sabia que um dia eles estariam juntos novamente. A tristeza e a felicidade estavam sempre em seus olhos verdes — uma bela mistura de esperança e saudade. 

 

Se a mãe pudesse falar com você agora, há algumas coisas que ela gostaria que você soubesse. Primeiro, ela abençoaria seu caminho de entrada e saída. Depois ela diria: “Deus cuidará de você". Não importa o que você possa estar passando, Deus estará com você e curará sua tristeza, toda a decepção e todo o medo.

 

Querida mãe,

Aqui está seu travesseiro; agora você pode descansar. Segure sua Bíblia junto ao seu coração e olhe nos olhos de Jesus; Deus estará com você e secará suas lágrimas. Isildinha, Mauro, Amauri, Mauricio e Angela, seus filhos, ficarão bem. Sempre nos lembraremos do que você nos ensinou — amai a Deus e amai-vos uns aos outros. 

Amo você mãe.

SAUDADES DO MEU PAI

Mauro

 

Não me lembro como a notícia veio. Meu pai acabara de falecer. Foi enfarte agudo do miocárdio, assim entendi. Um ataque cardíaco. O choque da notícia entorpeceu meus sentimentos. Só depois de um momento recorri às lembranças, e as lágrimas incontroláveis neblinaram meus olhos. 

 

Me lembro do quarto no apartamento onde morávamos em Chatham, New Jersey. Me recolhi para chorar sozinho, baixinho, e engolir o desespero de quem perde o pai, o herói, o homem que não podia morrer. 

 

Ele partiu sem dizer adeus. Eu não disse adeus. 

 

Ainda penso que ele está em algum lugar por aí. Talvez lá fora, no quintal de sua casa. Provavelmente tentando consertar alguma coisa que um de nós, os filhos mais travessos, quebraram. Talvez o pai está na cama, nunca doente, porque gigantes não ficam doentes, mas tiram sonecas. 

 

Queria conversar com você, pai. Não, não posso chamá-lo de "você", tem que ser "senhor". O senhor me repreenderia, e diria: "Olha o respeito rapazinho". 

 

Ah! Pai, tenho saudades das suas reprimendas. Nunca foi bom para o seu coração ficar irritado e perder a paciência. O senhor sempre misturou braveza e amor. Assim eu te quero meu querido pai. Assim eu te amo. 

 

Sinto a sua falta, pai. 

Mauro

Mauro 2
EXEMPLO DE MULHER
Angela
Mãe ❤ sempre te amarei, você foi um exemplo de mulher e de mãe. 🙏 Obrigada Deus por poder ama-la e receber dela todo o amor de uma mãe 🙏Descansa em Paz e um dia te verei no céu. I ❤ you forever.
Angela
Priscila

AVÓS SÃO SERES CONSTANTES

Priscila

Avós são seres constantes. Estão sempre lá, com o mesmo jeitinho, as mesmas manias, histórias e sorrisos. Partimos e voltamos, e elas estão um pouco mais velhinhas a cada ano, mas nem percebemos. Tanto que esquecemos, muitas vezes, que um dia irão partir.


A minha vó se foi, numa manhã desse mês de agosto. Não sem muito antes lutar. E ninguém nem imaginava que seria diferente, você era uma guerreira vovó. Sempre foi.


Ela era pura vida e vontade de viver essa Dona Natalina. Se perguntassem dizia que queria chegar aos 120. Longevidade de vida com saúde, era sua promessa. E viveu. 88 anos, com lucidez, alguma dores, é bem verdade, mas caminhando, lendo, orando, aconselhando e amando todos os dias.


E você ainda é vida vó. Em todas as histórias contadas e recontadas de tempos que não conhecemos e das nossas infâncias. "Eu já te contei da vez que...?" Já, vó, mas pode contar de novo. E agora somos nós que contamos de novo e de novo.


Você é vida nos seus filhos, netos e bisnetos. Sua longevidade é nossa memória. Nossa histórias são permeadas pelos seus ensinamentos, pelas suas orações e pela sua fé. "Orai sem ...." E completávamos suas enquetes bíblicas para ver sua alegria quando acertávamos os finais dos versículos. Mas essas palavras eram sua vida. "Em tudo dai


..." Graças, vó.
E damos graças pela sua vida. Na certeza que você está com Jesus, que você tanto amava.

HINO À ARVORE

André

Oi Tio ... a vovó muitas vezes me falava de duas músicas que ela lembrava de quando era muito pequena... a primeira que ela me contava, volta e meia,  era um que tinha aprendido na escola, no dia da árvore...

 

A letra era essa

 

HINO À ARVORE

 

Cavemos a terra, plantemos nossa árvore Que amiga bondosa ela aqui nos será! Um dia, ao voltarmos, pedindo-lhe abrigo, Ou flores, ou fruto, ou sombra dará.

 

O céu generoso nos regue esta planta, O sol de dezembro lhe dê seu calor

A terra que é boa, lhe firme as raízes, E tenham as folhas frescura e verdor.

 

Plantemos nossa árvore, que a árvore é amiga, Seus ramos frondosos aqui abrirá

Um dia ao voltarmos em busca de flores,

Com as flores, bons frutos e sombra dará.

 

Outra era a música da primeira comunhão. Ela dizia que se lembrava cantando essa música andando pelas ruas de Buri, vestida com um vestidinho branco junto com outras pessoas até chegarem na única igreja católicada cidade para a primeira comunhão. Ela sempre me cantava essas duas primeiras estrofes do hino

 

O meu coração é só de Jesus

A minha alegria é a Santa Cruz

 

Link: https://m.cifraclub.com.br/catolicas/o-meu-coracao--so-de-jesus/

 

Ela dizia alegre que não sabia porque se lembrava dessa música, mas que ficava contente por só falar de Jesus e não ter nada de idolatria... tinha gravado ela cantando.... acabei perdendo quando troquei de celular.... 

 

conversando mais com ela sobre essa época, ela me disse que tinha só Uma igreja evangélica na cidade. Lembro ela me dizendo que era uma igreja presbiteriana. E ela disse que o padre mandava jogar pedra na igreja evangélica, e que ela lembra de garotos jogando pedras nessa igreja.... 

 

Lembro dela falando que a mãe dela era muito limpa... que não tinha sapatos, andava na terra batida, mas fazia questão de manter os pés limpos, lavados...

Andre 1

O SACO DE FEIJÃO

André

 

Estou tentando ir em ordem cronológica do que me lembro Das histórias que a vovó contava.... lembro dela falando que a mãe da vovó se chamava Celencina... e que eles de vez em quando não tinham muita coisa pra comer em casa, e precisavam pedir comida pros vizinhos, batiam na porta e pediam se tinham um pouco de arroz, feijão.... Hoje penso que daí vem o fato dela nunca negar comida a quem pedia na porta dela... ela (bem como o vovô Antônio) sabiam o que era passar fome e passar necessidade.... que ela lembrava que quando tinham que ir ao médico tinham que ir com a mãe da vovó e andar muito... as vezes para pegar água tb...

 

Lembro dela falando que ela queria ir para cidade grande, e que a mãe dela falou que só deixaria depois dela trazer um saco de feijão pra casa... que ela se lembrava de fazer o buraco, plantar os feijões, esperar crescer para colheita.... e que a maior felicidade dela foi trazer um saco cheio de feijão pra casa.... e que a mãe dela falou “pronto, agora vou ter que deixar a Natalina ir...” ela me contou isso ainda na Mário Vicente. Na porta da cozinha, perto do quintal... falava sorrindo, feliz e orgulhosa que tinha conseguido trabalhar pra ir pra cidade grande...

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REVOLUÇÃO DE 32
André
Quando eu estava na escola, a vó me ajudava um pouco até onde ela sabia me ajudar... quando eu estava aprendendo a escrever, ela me ensinou antes de P e B, é sempre M, e nunca N. Ela dizia que se lembrava da professora da escola dizendo bem alto “Antes de P e B é M!”

Lembro de quando comecei a estudar mais história do Brasil na escola, perguntava pra vó sobre algumas coisas pra ela pra ver o que ela lembrava sobre épocas que ela viveu...

Quando perguntei se ela sabia alguma coisa sobre a revolução de 1932 (ano que ela nasceu) ela disse que a mãe dela chamava ela de “Filha da Revolução”. Depois fui pesquisar um pouco, e a última batalha da revolução de 1932 tinha sido na cidade em que ela nasceu...

Perguntei a ela o que ela achava de Getúlio Vargas, e ela falava que, pelo que ela lembrava, ele foi bom. Ela lembrava que todos os livros que ela usava na escola tinham um carimbo com o rosto de Getúlio Vargas e alguns dizerem que me falham a memória agora...

Quando eu perguntava sobre a época da ditadura militar, ela dizia que, pelo que ela se lembrava, pelo menos não tinha tanta bobagem na TV e nos jornais... ela sempre foi “na dela” em relação à política... então é de se esperar que ela não soubesse de muitos detalhes sobre como essa época foi difícil pra muita gente...
Anchor 3
Mauro
Boa André. Você está ajudando a me lembrar dessas histórias. Sim, a região de Buri foi o centro da revolução de 32. A minha avó acolheu vários soldados. Deu alimentos, água, e lugar para descansarem. Não conheci a minha avó (sua bisavó). Ela morreu cedo, com 40 anos, mas conheci a minha bisavó (sua trisavó). Ela era miudinha, magra, e gostava de fumar cigarro de palha. Me lembro dela chamando sua mãe: "Zirda! Me traz um café bem forte, menina, que eu não consigo dormir sem tomar café". Talvez sua mãe lembre. Morávamos em uma casa no bairro do Jabaquara com quintal grande no fundo. Lá tinha uma goiabeira e um abacateiro. Eu chamava de meu abacateiro. Quando a bisavó estava brava comigo, me escondia na goiabeira. Não encontrei Jesus na goiabeira como a ministra Damares Alves, mas as goiabas eram deliciosas. 
Anchor 4
DONA NATALINA FOI MORAR EM OUTRA CASA
André
A vó tb contava de quando saiu de casa... que não foi fácil... conta da época que tinha medo que um rapaz fizesse mal a ela em Uma casa em que foi morar.... ela orou pra Deus protegê-la.... pouco tempo depois ele morreu em um acidente... ela contava com riqueza de detalhes, e dava pra imaginar a cena e eu imagino como foi difícil para ela naquele tempo (acho que entrar em detalhes não edifica muito) ... ela conta que orou a Deus pra protegê-la desse rapaz, pq ela sentia que algo não estava certo... Deus a protegeu muito ... eu sinto que ela contava essa história Pra mostrar como Deus a protegeu de Uma situação difícil ... Uma situação que ninguém além de Deus podia protegê-la...
A MENINA NATALINA FOI MORAR COM OUTRA FAMÍLIA.
 
André
A vovó  também contava de quando foi morar com outra família. Que tinha falado para mãe dela que iam cuidar dela e dar estudo... mas chegou lá e fizeram ela trabalhar na mercearia da família... faziam roupas de saco pra ela e ela dormia nos fundos da loja, junto com estoque de produtos... ela contava que de vez em quando alguém passava pedindo comida Ou ajuda... e ela dava o máximo de coisas que conseguia da mercearia  em que morava/trabalhava.... arroz, açúcar, feijão “ih, um monte de coisas.” Ela falava. Ela sempre fez o melhor que pode pelos que tinham menos que ela... dai ela contava que perto dalí, morava alguém que conhecia a mãe dela... que um dia passou na frente da mercearia e falou “Mas você é filha da Selencina, não é?” E ela falou “Sim moço, por favor, chama a minha mãe, fala que eu estou aqui!” ... pouco tempo depois (não me lembro quanto tempo) a mãe dela (analfabeta, sem estudo nenhum, como dizia a vó) foi lá e brigou com a pessoa que estava fazendo isso com a vó e não deixou ela ficar mais lá... Deus a protegendo mais Uma vez...

A vó não me contou muito o que aconteceu depois disso... eu não gostava de ficar “cutucando” memórias que podiam ter sido dolorosas.... então tem alguns “gaps” no que sei da história da vó...

Lembro da vó contar sobre uma irmã dela, que acabou ficando muito mal Uma época... ela contou dessa irmã dela Uma vez que tínhamos comprado Uma roupinha para colocar na nossa cachorrinha, que chamava Bila (o vovô Antônio gostava bastante dessa cachorrinha, diga-se de passagem, e cuidou dela algumas vezes quando íamos viajar)... tinha ficado frio e pedimos a vovó pra nos ajudar a colocar a roupinha na Bila... Ela ajudou, mas falou que não gostava muito de fazer isso pq fazia ela se lembrar da irmã dela, que um dia acordou e começou a colocar roupas nos animais da fazenda onde moravam... “Colocou camisa no cavalo, calça em outro bicho...” lembro dela falando isso... 

Anos depois a vovó me contou mais sobre essa irmã.... Falou que a irmã acabou sendo internada ... depois descobriram que não tratavam ela bem lá dentro (tenho certeza que você sabe os detalhes tristes dessa história - talvez melhor que eu - então não colocar eles aqui)... A mãe da vovó acabou trazendo a filha de volta pra casa... e o tempo que seguiu não foi nada fácil... Não me lembro ao certo como foi (a Priscila certamente lembra melhor esses detalhes) mas de alguma forma a mãe da vovó conseguiu reclamar com o governo sobre o que tinha ocorrido (não lembro se foi enviada Uma carta Ou se a mãe da vovó foi reclamar em pessoa) ... A vovó fala que pouco tempo depois, começaram a ter policiais femininas, e elas tinham certeza que isso aconteceu por que a mãe da vovó Natalina tinha ido contar o mal que tinham feito a sua filha... Se as policiais femininas surgiram apenas pelo que a mãe da vovó fez, não tenho certeza... Mas acredito que, de alguma forma, a coragem de uma mãe como essas em procurar ajuda e justiça pelo mal que fizeram a sua filha ajudou Sim, a mudar a história do Brasil de alguma forma... e elas sentiram que, de alguma forma, a justiça foi feita... depois disso, ficaria mais difícil tratarem outras mulheres que estavam em uma situação vulnerável com tanta maldade como trataram a irmã da vovó...
Anchor 5
Mauro
Muito bem! André. A minha tia tinha problemas mentais. A minha avó se viu obrigada a interná-la no Hospício do Juqueri, que foi o pior da América do Sul. Foi feito um filme sobre este Hospício.

A minha avó era tartamuda (gaga) e tinha muita dificuldade de falar. A minha mãe dizia que piorava quando ela ficava nervosa ou debaixo de muito estresse. 

A minha mãe foi com a minha avó Celenciana até o hospício e viram que a minha tia estava sendo maltratada com choques elétricos, suja, nua, no chão sujo e molhado. A minha avó Celenciana chorou muito, e com muita dificuldade discutiu com as enfermeiras para levá-la para casa. A minha mãe (sua avó) contou esta história várias vezes com lágrimas nos olhos. Problemas mentais foram constantes na nossa família. Outras duas tias também tiveram problemas mentais, tia Nair e tia Aparecida. Um dos meus primos tem sérios problemas mentais (não sei se ainda está vivo); o seu nome é Carlos, filho da tia Nair. A tia Aparecida foi internada em um Hospital Psiquiátrico no bairro do Jabaquara. Algumas vezes, fui com a sua avó visitá-la. A última vez que visitamos, a Chang foi junto, quando ainda namorávamos. Tem muitos outros detalhes que eu conto depois. Obrigado por lembrar deste episódio triste na nossa família.
O ÁLBUM DE CASAMENTO
André 
Depois disso, lembro de histórias de quando a vovó já estava adulta... Ela me contou essa história quando comecei a estudar no Colégio Arquidiocesano em São Paulo... ela contou que trabalhou na casa de uma mulher de que não era Brasileira (me falha a memória de onde ela era, mas minha mãe, a Priscila e você devem lembrar de onde ela era)... Naquele tempo o Arquidiocesano ainda era um internato/semi-internato, e ela lembrava do garoto chegando aos finais de semana e dele acordando bem cedo pra voltar para a escola com o uniforme do colégio da época, todo arrumadinho.... Ela ficava orgulhosa de estarmos estudando lá na época... Fico feliz que ela pode ir em nossas formaturas, ver como a escola era por dentro... Dessa época, a vó também contava que teve um dia, no trabalho dela, que ela acabou perdendo o horário de acordar... e que a patroa dela chegou no quarto dela com uma bandeja de café da manhã preparada, abriu a porta e falou “Bom dia Dona Natalina, quer mais alguma coisa?” E que ela morreu de vergonha no dia... Mas ela me contava rindo isso, lembrando de como foi...

Depois disso, lembro da vovó contando sobre como conheceu o vovô... que ela achava que ele era do Rio de Janeiro, e que ele não tinha sotaque da Paraíba, mas sotaque do Rio na época (o que ele fez questão de aprender para não terem preconceito com o fato dele ter vindo ao Sudeste, sendo nordestino)... Ela contava que levaram um bilhete do vovô pra ela na época, e que ela achou a letra feia, e que não estava bem escrito... Ela falava que disse “Fala pra esse rapaz aprender a escrever e vir falar comigo depois.” (Hehehe) ... Pelo que me lembro a vovó me contava que eles namoraram um tempo, mas que acabaram terminando... Nisso o vovô arranjou outra namorada, e ele chegou a passar na frente da vovó com a outra garota (meio que pra fazer ciúmes mesmo).... mas que tempos depois, ele terminou com a garota e voltaram a namorar.... depois disso, namoraram até se casarem... Sobre o casamento, lembro de duas histórias que a vovó contava: a primeira era que ela foi à uma cabeleira se arrumar para o casamento, mas que ela não gostou de como o cabelo ficou no final. Ela teve que voltar pra casa pra arrumar o cabelo e depois ir casar. Ela também contou que chegou a fazer um álbum de casamento, e que tinha sido presente de alguém na época... mas que, por desentendimentos, a pessoa acabou ficando ofendida e não entregou o álbum para ela...
Ainda está bem dolorido tio... a vó me criou junto com a mãe... muitas das minhas memórias estão atreladas a ela... pensar que não pude estar lá junto dela em seus últimos dias... não pude trazer um conforto... Ou simplesmente estar do lado... dói demais... eu amo muito ela... não poder ligar e perguntar: "Como era essa história mesmo vó?" Dói demais...
Mauro
Sim, André. Tudo aconteceu muito rápido e nós não pudemos dizer adeus. Essas histórias ficarão para sempre em nossas memórias. A minha mãe queria que lembrássemos de sua vida, que não foi fácil. Queria também que soubéssemos que apesar das dificuldades, tudo é possível com Deus.
Anchor 6
ILDINHA E OUTRAS HITÓRIAS
André
Tem uma história que a vó também contava sobre quando a minha mãe nasceu... A vó tinha ido ao hospital ter a bebê, e lá, quando ela sentia as dores de parto (contrações), e ficava de cócoras, abaixada, por que diminuíam as dores... e que a médica entrava no quarto pedindo pra ela não fazer isso, pq atrasava o parto... que ela podia escolher colocar o dia de nascimento da minha mãe dia 31 de dezembro de 1954 ou 1 de Janeiro de 1955... e que só anos depois ela pensou que se deixasse o aniversário dela para janeiro podia ter sido melhor “pra ela [minha mãe] ficar um pouco mais nova”...

Lembro-me da vovó falando de quando viu a Tia Mariluz pouco antes de dar luz ao Felipe... que ela viu que a barriga da Tia Mariluz “estava baixa” e que, pela experiência dela, isso significava que o bebê ia nascer logo... não deu outra... cerca de dois dias depois, o Felipe nasceu... a vó tinha muito dessa experiência e sabedoria que vinha dos antigos, de Uma sabedoria popular que estamos perdendo... isso vai Fazer muita falta, com certeza...

Lembro-me da vovó contando a Ildinha... a filha que tiveram depois da minha mãe... que ela era muito esperta e bonita... a vovó contava que ela brincava com o vovô quando ele voltava do trabalho... até um dia que a vó e o vô foram visitar amigos e um lugar próximo da casa deles... iria durar apenas algumas horas.... quando voltaram, ela não estava bem... ela tinha se assustado com latidos de um cachorro, a minha mãe chegou a pegar ela no colo, mesmo sendo pequena... 
depois disso, a vovó falou que chegou a levá-la para um médico importante que ela e o vô conheciam na época... quando chegaram foram pra sala de espera.... quando o médico a viu, perguntou “Natalina, o que você está fazendo aqui?”... e ela falou que tinha ido pela filha... ela falou que o médico examinou a bebê e disse que não era pra vó fazer escândalo, (já que ela estava grávida e nos últimos meses) e que a bebê não estava bem e precisava ir urgente para o hospital, que ela precisa de oxigênio, e que eles não tinha no consultório... eles levaram para o hospital, e eles internaram a bebê... colocaram a bebê no oxigênio e falaram pra vó ir para casa.... pouco tempo depois ela recebeu a notícia que a bebê tinha morrido... queriam fazer biópsia, a vó e o vô não deixaram... a vó contava que metade do peito da bebê estava preto, e que provavelmente ela tinha morrido do coração... ela contava essa história muito triste, mesmo muitos anos depois... imagino quanta força ela e o vô tiveram que ter para se reerguerem depois disso...
Anchor 7
Mauro
A história da lldinha é muito triste. A vovó estava grávida com o tio Amauri, eu tinha 3 anos (ou quase isso), e sua mãe 4. A Ildinha acabara de fazer 2. Uma escadinha. Minha mãe contou esta história várias vezes. Queria que a memória da nossa irmãzinha ficasse viva. Os meus pais sentiram muito a falta da Ildinha.

No hospital aconteceu como você se lembra das histórias da vovó. Nós, da família Souza, temos problemas do coração, e isto é congênito. Acredito que a vovó estava certa. Talvez se fosse nos dias de agora, a Ildinha tivesse sobrevivido. Naqueles tempos não se tinha na medicina os recursos de hoje.

Foi muito difícil o final da gestação para a minha mãe, um trauma muito grande. O parto foi difícil. A vovó ainda estava muito traumatizada e triste com a perda da filha. Deus acompanhou a sua dor por toda vida. Deus conhece muito bem a dor de perder um filho. A vovó sabia disso e se consolava com a esperança de um dia vê-la novamente junto a Deus.

O cachorro era do vizinho. A minha mãe disse que era um pastor alemão, não tinha certeza, sabia que era grande. Depois da morte da filha, meu pai matou o cachorro.

Eu era muito pequeno, e me lembro da Ildinha brincando no quintal atrás da casa em que vivíamos.

Dos três filhos, o vovô era mais apegado a Ildinha. Ele sofreu muito, e sempre evitou falar da menina. As lembranças eram muito doloridas. Uma vez insisti e perguntei a ele, com algumas lágrimas ele respondeu: “É melhor deixar essas coisas no passado". Eu sabia que ele não queria falar porque a lembrança da filha ainda doía.

Apesar de não ter convivido muito com a minha irmãzinha e a minha memória ter pouco dela, tenho saudades. Sempre quis que a Ildinha tivesse sobrevivido para minha mãe ser mais feliz.
IPI DA VILA DOM PEDRO E IPI DO JABAQUARA
André
 
Hoje acabei me lembrando da IPI da Vila D. Pedro Primeiro... e da vó e do vô.... as minhas primeiras lembranças com Deus e em uma igreja, são nessa IPI da Vila D. Pedro I... lembro Das EBD’s, dos cultos de domingo, Das EBF’s, do Pastor João Correia e Das gêmeas, Ruth e Raquel (as duas sempre estavam nas EBF’s e EBD’s com as crianças)... lembro da vó e do vô comentando de um casal chamados Adão e Eva, e eu nunca falei, mas achava engraçado por terem os mesmos nomes do primeiro casal apresentados a nós na Bíblia... também lembro muito do vô se arrumando de terno para ir à igreja servir como diácono... lembro que eles fizeram Uma grande festa em um aniversário de casamento deles lá... bodas de prata, se não me engano... lembro até hoje da vó bem arrumada... lembro deles tirando Uma foto nó finalzinho da festa, e como todos estávamos alegres...
Também tenho boas lembranças do vô e da vó na IPI do Jabaquara.... a última lembrança que tenho forte dessa igreja, foi Uma vez que fui com o vô António, quando ele me levou para ajudar a limpar a igreja, já que o caseiro estava de férias... limpamos toda a igreja.... mas a hora que mais cansou foi quando fomos limpar as passadeiras nos corredores do salão principal da igreja ele me deu um pano, me deu outro... molhamos os panos ... ele começou de um lado, eu do outro... fomos até o final tirando o pó e nos encontramos na frente do salão, perto do altar... lá fomos pela passadeira do meio, tirando juntos o pó da passadeira mais larga... lá eu vi quanto meu vô amava a igreja e a Deus...e o quanto ele era humilde .... estava fazendo um trabalho que ninguém iria ver, ninguém iria dar o crédito a ele, mas ele estava lá, limpando a igreja.... deixando ela um brinco.... ele sabia que esse trabalho era pra Deus.... nunca esqueci desse dia.... passamos quase o dia todo quietos, apenas limpando... ele me dava as ordens, eu ajudava... foi um dia em que ele me ensinou muito, muito mesmo, sem dizer quase nada... tenho muitas saudades do vô.... ele foi o pai que precisei, muitas vezes... com ele eu me sentia amado, querido, com pequenos detalhes... mesmo sem um abraço Ou um beijo... ele era muito especial... e muito inteligente... sempre penso com a minha mãe que, mesmo sem ter a chance de ir à escola, ele chegou longe, muito longe... imagine se ele tivesse a chance de estudar, onde chegaria...
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André

Oi Vó... tudo bem? Ainda parece um sonho... e que vou acordar e a senhora está bem em casa... lendo a Bíblia e os livros que gostava, orando e fazendo suas caminhadas de 40 minutos contadas no relógio (“por que faz bem à saúde” a senhora sempre dizia)... ainda lembro de quanto gostava de andar no Museu do Ipiranga e nadar no Sesc Ipiranga quando  era mais nova... Aprendeu a nadar depois de adulta, e aprendeu tão bem que chegaram a te convidar pra participar de competições... a senhora educadamente recusou... mas aposto que se sairia muito bem...

Hoje estava na internet e vi Uma bolsinha... só conseguia pensar em como a senhora iria gostar de usar Uma dessas pra ir à igreja...

A senhora me disse um dia “Dizem que vó é mãe duas vezes... sou avó da Priscila, da Rachel, sua avó, do Felipe, do Eduardo, do Davi, do Dalton, da Rebeca, sou mãe dos meu quatro filhos... vish, sou mãe muitas vezes que nem sei a conta!”... eu te abracei e falei que te amava muito... era isso que a senhora era... a nossa mãe, aquela que orava pela gente, dava conselhos, versículos e contava histórias e nos ouvia quando precisávamos ... a senhora sempre tinha um abraço gostoso pra dar... muitas vezes só  precisava fazer companhia para a gente perceber o quanto a senhora se importava, e que sempre ria quando a gente fazia Uma piada (e as vezes a senhora chamava a gente de bobo com a voz mais doce do mundo)... saudades vó... eu te amo demais... demais mesmo... a senhora nem sabe o quanto.... bjs vó.... fica com Deus...

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MEU POST NO FACEBOOK (2)
André

Essas últimas semanas, depois da morte da minha avó, acabei lembrando de muitas coisas... coisas que vivi junto dela, lugares que frequentava por causa dela e do meu avô... histórias que só faziam sentido por causa dos meus avós... a IPI que íamos, que meu avô era diácono... deu bastante saudades... mas foi Uma saudade sem dor... saudades dos anos bem vividos dos meus avós...

Quando era mais nova, minha avó trabalhou em Uma casa onde a criança estudou no Colégio Arquidiocesano... Nessa época o Arquidiocesano ainda era um internato para meninos, e ela dizia que se lembrava do garoto voltando para casa nos finais de semana e depois indo para a escola na segunda-feira (cedinho) com o uniforme da escola, todo arrumadinho... mal ela sabia que anos mais tarde os netos dela estariam se formando no mesmo colégio... ainda lembro do meu avô buscando a gente depois da escola.... fico feliz de que minha avó pode ver o colégio por dentro.... Uma coisa que, anos antes, para ela, seria impossível... meu avô, infelizmente, acabou indo antes de nos formarmos na escola... mas ele esteve muito presente em nossas vidas, desde o começo ... minha avó e meu avô conseguiram dar o melhor que puderam para seus filhos e netos.... amo muito os dois... de verdade

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André
Hoje acordei sem a senhora... sem seu sorriso, sua voz... a vontade de dar um último abraço, um último beijo... não vão acontecer... eu a amo demais ... vou me lembrar de seus ensinamentos pra sempre, seus exemplos... A senhora me ensinou a ajudar o proximo apenas por suas ações, quieta... não negava comida a quem chegasse a sua porta pedindo comida para acalmar o estômago vazio... era Uma mulher de Deus, forte... nunca perdeu a fé... que ensinou o marido a ler, escrever e a fazer as contas básicas... toda vez que oro, toda vez que leio a Bíblia, toda a vez que vou à igreja, toda a vez que tenho uma experiência com o Espírito Santo, penso em você ... eu te amo pra sempre.... saudades eternas...
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Raquel
HOMENAGEM A MINHA AVÓ
Rachel
“Regozijai-vos sempre. Orai sem cessar. Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.” 1Tessalonicenses 5:16-18

Esse é um dos versículos que minha avó mais falava. O Senhor recolheu minha avó há duas semanas. Vi muitas mensagens lindas em homenagem a ela. Eu não costumo escrever e compartilhar coisas na internet, acho lindo quando as outras pessoas compartilham mas eu nunca me senti à vontade. O mesmo foi com a partida da minha avó... não vi porque compartilhar a minha dor com alguém. Mas hoje acordei ainda sentindo a mesma dor e me veio o versículo que minha avó falava todo dia e lembrava em TODA situação difícil. “Regozijai-vos sempre...” .Não quero compartilhar a dor que estou sentindo mas quero compartilhar um dos ensinamentos que minha avó passou pra mim e pra todo mundo que ela conhecia. Toda hora q minha avó tinha oportunidade ela falava de Jesus pra alguém, no elevador, andando na feira, e sempre com sorriso no rosto. Isso porque ela viveu 88 anos e pode ver TANTOS milagres e TANTOS cuidados do Senhor na vida dela e na vida de cada pessoa q ela orava que ela queria que todo mundo conhecesse o que ela conheceu. Ela falava sempre também “orai um pelos outros” porque ela conhecia muito o poder da oração. 

Este post é em homenagem a minha avó e o que quero dizer eh o que ela falaria pra mim se eu chegasse pra ela e falasse “ vó eu to triste pq vc não está mais aqui” ela me responderia com um sorriso no rosto e provavelmente me abraçando“ regozijai-vos sempre e em tudo dai Graças, eu vou orar por você” . Não quero dizer que é fácil me regozijar e dar graças a Deus mesmo nas situações difíceis mas aprendi com a minha avó que quando vc faz isso NO SENHOR fica mais fácil. Vó graças a Deus por que tenho a certeza de que a senhora está bem e com o Senhor ! Graças a Deus por cada dia que a senhora viveu aqui na terra! Eu te amo muito e vou levar sempre comigo os seus ensinamentos. E outra coisa que minha avó falaria pra você que esta lendo: “Jesus te ama! ❤️“
Felipe
OBRIGADO VOVÓ
Felipe
É vovó, você virou um anjinho hoje, não tenho palavras pra agradecer tudo que ensinou e por ter tornado a nossa família tão grande e tão unida, você fez tudo isso possível sendo uma mulher sempre forte e determinada, um modelo pra todo mundo e que batalhou até o ultimo segundo que dava e venceu no final, porque com a sua fé tenho certeza que está em um lugar melhor, olhando por nós aqui em baixo, te amo muito.
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